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sexta-feira, 26 de julho de 2013

PERFEIÇÃO MORAL



Diz a Espiritualidade em «O LIVRO DOS ESPÍRITOS», no capítulo que trata da Perfeição Moral, Virtudes e Vícios, que muitas vezes as qualidades morais são como a douração feita num objeto de cobre, que não resiste a pedras de toque. Pode um homem possuir reais qualidades que o apontam ao mundo como um homem de bem? Mas, posto seja um progresso, nem sempre essas qualidades resistem a certas provas, e por vezes, basta tocar a corda do interesse pessoal para o pôr a descoberto.

Emendar-se, vencer as paixões, corrigir o caráter, visando crescer espiritualmente e com a intenção de colaborar com Deus e a Humanidade desinteressadamente: Eis, um procedimento sensato, pois não há nenhum egoísmo em melhorar-se tendo em vista aproximar-se de Deus, pois esta é a meta para a qual todos nós tendemos..
Sempre que nos dedicarmos a um estudo sistemático, estaremos seguindo o caminho do bem já que, a par de nos instruirmos – e por conseguinte trabalharmos por nosso progresso individual -, estaremos indiretamente contribuindo para o progresso dos que nos cercam e, em última análise, de toda a humanidade – e isto está conforme à lei natural do progresso que nos direciona para a perfeição.
Neste caminho da perfeição censurar defeitos alheios não é uma boa atitude, pois nenhum de nós dispõe de faculdades completas; e é pela união social que nos completamos, asseguramos nosso próprio bem-estar e progredimos. Antes de qualquer censura a alguém, devemos refletir de como agiríamos se estivéssemos no lugar daquele que desejamos censurar. Este proceder nos levará a compreender melhor a psicologia humana, buscando formas de nos educarmos mutuamente, inclusive analisar o nosso proceder e corrigir possíveis defeitos que ainda existem em nós. Este procedimento também é um meio de crescermos espiritualmente.
Se desejamos provar nossa capacidade, só existe uma maneira de fazê-lo, é através do exemplo.
Diz Alexandre Rangel, especialista em processos de qualidade empresarial, in Artigos/Qualidade da Rádio Bandeirantes, que Napoleão Bonaparte sem dúvida foi um dos maiores líderes que este mundo já conheceu. Certa vez, seu exército estava se preparando para uma das maiores batalhas.

As forças adversárias tinham um contingente três vezes maior que o seu, além de um equipamento muito superior. Napoleão avisou seus generais de que ele estava indo para a frente de batalha e estes procuraram convencê-lo a mudar de idéia:

- Comandante, o senhor é o império! Se morrer, o império deixará de existir. A batalha será muito difícil. Deixe que nós cuidaremos de tudo. Por favor, fique. Confie em nós.

Tudo em vão, não houve nada que o fizesse mudar de idéia. No meio da noite, o general Junot, um de seus brilhantes auxiliares e também amigo, procurou-o e, de novo, tentou mostrar o perigo de ir para a frente de batalha.
Napoleão olhou-o com firmeza e disse:

- Não tem jeito, eu vou.

- Mas por quê, comandante?

E ele respondeu...

- É mais fácil puxar do que empurrar! Servir de exemplo não é a melhor forma de ensinar; é a única forma de ensinar!

Não merece repreensão aquele que sabe, por suas ações, estar fazendo o bem, desde que seu intuito é o de pesar suas ações na balança de Deus, e sobretudo na Sua lei de justiça, amor e caridade, para dizer a si mesmo se suas ações estão no objetivo correto. O que não é racional é se envaidecer, pois significaria que tudo o que fez cairia por terra, já que essa atitude seria uma demonstração que em si ainda há o egoísmo.
Em L.E., q. 913, os Espíritos superiores dizem que o vício que podemos considerar como sendo o mais pernicioso é o egoísmo, pois é dele que deriva todo o mal e, se estudarmos a fundo todos os vícios que possuímos, em todos eles existe o egoísmo.
Podemos lutar de todas as formas para tentar tirar qualquer um de nossos vícios, mas só iremos extirpar o egoísmo quando o atacarmos na sua raiz e destruirmos sua causa, pois quem nesta vida desejar se aproximar da perfeição deve extirpar de si todo o sentimento de egoísmo, porque ele é incompatível com a lei de Justiça, amor e caridade. Aliás, o egoísmo anula todas as outras qualidades.
Muitos de nós podemos alegar que o nosso mundo é dominado pelo egoísmo, por isto a dificuldade em extirpá-lo. A isto podemos dizer que, se cada um de nós trabalhar sua transformação íntima, procurando uma forma de se melhorar, a intensidade desse vício tenderá a diminuir e o mundo melhorar. Caso contrário será necessário que ele cresça mais ainda para que faça danos consideráveis para se compreender a necessidade de sua extirpação, daí a escolha é de cada um de nós.
Realmente, podemos admitir que o egoísmo é muito difícil de se erradicar - pois está ligado à influência da matéria - e que ainda estamos muito próximo de sua origem mas, com certeza, ele se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material, e sobretudo com a compreensão de doutrinas como o Espiritismo, que nos fazem entender melhor nossa condição futura.
Conforme ensinamentos de Sócrates e Santo Agostinho, in LE 919a: O autoconhecimento é a chave do melhoramento individual, pois permite que alinhemos nossas ações e pensamentos na direção das correções que necessitamos realizar, e assim, ajustar nossos atos de acordo com os ensinamentos dos grandes Mestres que estiveram na Terra, em especial o Mestre Jesus, tanto em relação a Deus, como em relação ao nosso próximo.
Este processo é árduo; assim, necessitaremos de muita coragem e determinação para realizá-lo, mas através do esforço próprio e de exercícios repetidos na direção das boas causas, iremos sedimentar em nós o próprio bem. Deus sempre nos assiste e auxilia, mas devemos fazer a nossa parte se desejamos verdadeiramente melhorar e assim colaborar com a construção de um mundo novo e melhor.

Artigo com base no Livro terceiro, cap. XII de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, obra codificad
a por Allan Kardec